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A taxa de recuperação de Créditos Inadimplidos

04.Jul.2016

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As empresas do segmento financeiro e/ou varejo com financiamento próprio ao concederem empréstimos em uma das modalidades CDC, Empréstimo Pessoal, Carnê e entre outros produtos disponibilizados e ofertados ao mercado de consumo, estão na verdade efetuando um investimento em renda fixa. No entanto, é de pleno conhecimento das empresas que qualquer investimento desta natureza está sujeito a variações de valor em função de alterações nos níveis de taxa de juro, que são um dos medidores de riscos de mercado.

Para as modalidades citadas acima, a medida mais comum que revela a sensibilidade do valor de uma dívida a mudanças nas taxas de juros é o prazo. Prazo este que representa a vida média do crédito ao levar em consideração o momento e o valor presente de todos os seus fluxos de caixa.

Dessa forma, quando o cliente deixa de liquidar a sua dívida conforme o contratado, diz-se que ele se torna inadimplente. Este ao inadimplir força o credor a ter um prejuízo que será, em situações normais, limitado ao total da dívida remanescente. No que tange a esse fato, a perda pode ser diminuída se o devedor pagar parcialmente o que deve. Neste caso, verifica-se que a perda é tangível, ou seja, pode ser medida e podemos, ainda, afirmar que a perda esta condicionada à existência de dois fenômenos distintos: a ocorrência da inadimplência propriamente dita e o que resulta da negociação entre o credor e o devedor após tal inadimplência.

Este fenômeno, a inadimplência, é estudado com muita profundidade pelos acadêmicos e profissionais do segmento financeiro. Em face desse conhecimento foram desenvolvidos diversos modelos capazes de prever a ocorrência do não pagamento sob variadas abordagens. A saber: i) modelos julgamentais que se baseiam na experiência de analistas treinados para dar um parecer no quão bom é um crédito; ii) modelos estatísticos baseados em análise discriminante, que visa determinar pontos de corte que apartam os créditos supostamente bons dos ruins; iii) modelos de análise logística que sustentam uma probabilidade de inadimplência para cada suposto cliente; iv) modelos baseados em variáveis do ambiente macroeconômico e, v) modelos baseados em teoria de opções, que também carregam o propósito de determinar uma probabilidade de inadimplência, iniciando de informações de demonstrações financeiras e do mercado de capitais.

O risco de uma operação de crédito provém da falta de certeza de sua liquidação, tanto no que diz respeito à data do recebimento quanto aos valores a serem recebidos. À vista disso, a cada crédito se pode atribuir um valor prometido, um valor esperado e um valor realizado.

O valor prometido equivale ao montante contratado. Caso ocorra a concessão de crédito, ou seja, um empréstimo para o cliente, este compromete a pagar juros efetivos pelo prazo contratual e, o valor em questão é acrescido do juro.

As organizações sabem que existe uma probabilidade não nula de o cliente não pagar no prazo o valor do débito contratado. Com base em suas experiências de emprestar e/ou financiar, o credor irá atribuir àquele crédito um valor provável de realização que representa sua expectativa média de realização. Dessa forma, o credor atribui ao crédito, em qualquer data antes do vencimento, um valor esperado menor que o valor prometido.

Quando este cliente passa a ser considerado inadimplente, o credor, na maioria das vezes, não perde todo o valor emprestado. Este considera que uma parte do crédito já tenha sido recebida, especialmente quando há garantias tangíveis suportando o empréstimo. O valor não recebido na data aprazada, ou no montante prometido, dá-se o nome de taxa de recuperação.

A taxa de recuperação é uma medida de mensuração do quanto se recebe de um crédito não honrado. Entendo por não honrado, o valor que não foi liquidado na data compromissada, conforme termos acordados no contrato da concessão do crédito.

Também podemos, de uma maneira usual, considerar e trabalhar com o conceito de taxa de perda em caso de inadimplemento. Este método conhecido na sua versão em inglês como “loss given default – LGD” é um substituto para a taxa de recuperação. Afirmo que a LGD é o complemento da taxa de recuperação.

Num processo transacional corrente, a taxa de recuperação está limitada a um mínimo de 0% e a um máximo de 100%. O limite inferior decorre da consideração de que a perda em um crédito não pode superar o investimento feito. No entanto, é possível ocorrer uma recuperação negativa. Nos casos de cobrança judicial, por exemplo, é possível, embora raro, que os custos de cobrar superem o valor recebido após a cobrança, observando-se, portanto, uma taxa de recuperação menor que zero. No caso de uma taxa de recuperação superior a 100%, é ainda mais rara do que uma negativa, mas também possível. Exemplificando essa situação: uma dívida não paga no prazo em moeda corrente, mas sim quitada com outros ativos financeiros do tipo ações, quotas entre outros. Neste caso, pode haver uma forte valorização dos ativos que substituíram a dívida, e o credor nesse caso irá recuperar mais do que lhe fora contratado.

Concluindo comparando a inadimplência e a taxa de recuperação em conceito contábil, posso afirmar que a taxa de inadimplência é a razão entre o total das provisões constituídas para suportar o risco de crédito da carteira e o montante total do portfólio. A recuperação diz respeito ao quanto das provisões constituídas não é consumido pelos créditos efetivamente ruins. Assim, a partir das demonstrações financeiras, se isolarão as receitas que correspondam à recuperação dos créditos que foram baixados como prejuízo, a reversão de provisões com créditos de liquidação duvidosa e se comparará com as provisões constituídas em cada período. Portanto, concluo que a taxa de recuperação é a razão entre os valores recuperados de créditos inadimplidos e o total das provisões constituídas para suportar o risco de crédito da carteira.

Prof. Dr. e Me. Pitico

Fonte:http://www.televendasecobranca.com.br/cobranca-2/a-taxa-de-recuperacao-de-creditos-inadimplidos-62317/