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Fatia comprometida com dívida é maior em mais de 2 anos

Não há sinais de explosão em inadimplência, segundo economista da CNC

18.Jun.2020

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A parcela de renda das famílias comprometida com dívidas atingiu, em maio, o maior patamar em mais de dois anos, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O percentual de renda familiar comprometido com empréstimos ficou em 30,3% em maio, o mais elevado desde novembro de 2017 (30,6%). Em abril o indicador estava em 30,1%, ante 30% em março.

No levantamento, a fatia de famílias que se declararam endividadas no mês ficou em 66,5%, abaixo de abril (66,6%) – mas acima de maio do ano passado (63,4%).

O quadro pode estar sendo influenciado pelo já elevado nível de endividamento das famílias, observou Izis Ferreira, economista da CNC. Ela ressaltou que, na pesquisa, um indicador importante para mensurar o grau de endividamento é o tópico “mais de 50% da renda comprometida com dívidas”. Nessa faixa, estão 22,4% das famílias endividadas em maio, maior percentual desde dezembro de 2017 (22,6%). Em abril, o índice apontava 22%, e, em maio de 2019, 21,2%.

Ao ser questionada se, com a crise, a tendência seria de maior endividamento das famílias brasileiras, a especialista comentou que há muitos fatores a serem levados em consideração. Se, por um lado, as famílias contam com trajetória crescente de parcela do orçamento destinada a pagamento de dívidas, há oferta grande de liquidez e facilidades em acesso ao crédito. Por outro lado, os bancos também podem mostrar cautela em emprestar mais durante a crise atual, devido ao risco de inadimplência.

No entanto, a economista diz que, até o momento, pela pesquisa da CNC, não há sinais de explosão em inadimplência. As famílias que declararam ter dívidas ou contas em atraso ficou em 25,1% em maio, abaixo de abril (25,3%) e acima de maio de 2019 (24,1%).

Outro aspecto decorrente da crise, observou ela, é o cenário de inflação baixa – causada por redução de consumo durante a pandemia -, que pode ajudar a abrir espaço no orçamento das famílias. Isso pode aliviar, em parte, a necessidade de novas dívidas.

“Creio que até o momento não temos como dizer com certeza o que vai acontecer [com patamar de famílias endividadas]”, disse ela, afirmando ser melhor esperar a evolução dos próximos meses, bem como os impactos da covid-19 na economia.

Fonte: https://www.televendasecobranca.com.br/cobranca-2/fatia-comprometida-com-divida-e-maior-em-mais-de-2-anos-108160/