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Equipe econômica fixa nesta semana meta para a inflação de 2018

Meta de inflação de 2018 será fixada e objetivo de 2017 pode ser revisto. Centro da meta de inflação não é atingido pelo governo desde 2009.

27.Jun.2016

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O Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne nesta semana para definir a meta de inflação de 2018. Mas economistas do mercado financeiro não descartam que o colegiado faça uma revisão, para cima, do objetivo central para a inflação de 2017, fixado atualmente em 4,5%.

A discussão tem impacto direto na vida dos consumidores porque o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, pelo menos na teoria, define o juros básico da economia, a taxa Selic, para tentar atingir a meta central de inflação definida pelo CMN.

O juros fixados pelo Copom, por sua vez, serve de referência para as taxas bancárias e para o crediário das lojas. Atualmente a Selic está em 14,25%, o maior patamar em dez anos.

Copom Maio 2016 (Foto: Editoria de Arte/G1). Ao subir os juros ou mantê-los elevados, o BC encarece o crédito. O objetivo é reduzir o consumo no país para conter a inflação, que mostrou resistência no ano passado e no início de 2016.

Entretanto, os juros altos prejudicam a atividade economica e, consequentemente, inibem a geração de empregos. Quando reduz os juros, o Copom julga que a inflação tende a caminhar para o índice fixado nas metas do CMN.
O novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, chegou falando grosso sobre inflação. Em sua sabatina no Senado Federal, no começo do mês, disse querer "cumprir plenamente a meta de inflação estabelecida pelo CMN, mirando o seu ponto central".

O sistema de metas de inflação brasileiro também prevê um intervalo de tolerância, hoje em 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. Para 2016, por exemplo, a meta central de inflação, que deve ser perseguida pelo Copom, é de 4,5%. Mas se o IPCA, que mede a inflação oficial, ficar dentro do invervalo (que neste ano varia entre 2,5% e 6,5%), não será considerado que a meta foi descumprida.

A última vez que o Copom, por meio da definição dos juros básicos da economia, atingiu a meta central de inflação foi em 2009 - notadamente um ano de fraca atividade, marcado pelos efeitos da crise financeira mundial.

Em 2015, o IPCA ficou em 10,67%, bem acima do teto da meta, e, por isso, o então presidente do BC, Alexandre Tombini, teve que justificar o descumprimento.

A reunião do CMN está prevista para quinta (30) e vai apontar, além da meta central, também o teto e o piso para a inflação em 2018. O CMN é formado pelos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo de Oliveira, além do presidente do BC, Ilan Goldfajn.

O que dizem os economistas? Economistas consultados pelo G1 acreditam que a meta central para 2017 tende a ser mantida nos atuais 4,5%, mas não afastam a possibilidade de que ela seja elevada pelo CMN.

Dizem ainda que esse objetivo pode vigorar também em 2018, mas avaliam que a equipe econômica poderá optar por reduzir a meta central a 4%, para dar uma indicação positiva ao mercado financeiro e à sociedade.

"Usar uma meta ajustada [maior] para 2017 faz sentido. Houve um choque de oferta [em 2015] porque teve de acomodar aumentos de energia e combustíveis represados", opinou o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal.

Gilberto Braga, professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral, aposta que a meta central de inflação de 2018 será de 4,5%, com o teto de 6% - mesmos valores fixados para 2017. Ele também acredita que não será alterada, na reunião, as metas para o ano que vem.

"Neste momento, o mais provável é que seja mantida, porque não há ainda nenhum resultado concreto que permita você revisar a meta com fundamento, a não ser que seja um mero objeto de desejo", afirmou Braga. Na avaliação do diretor de gestão de recursos da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello, a meta central deve ser mantida em 4,5% para 2017, com teto de 6%. Para 2018, ele prevê os mesmos índices.

"Esta no momento de mandar a inflação para dentro da meta com o BC novo [chefiado por Ilan Goldfajn]. Não faz sentido nenhum apertar essa meta [para 2017] e nem afrouxar, mas sim trabalhar na meta que existe", disse ele.
Porque a inflação é alta no Brasil? Segundo Leal, do banco ABC Brasil, a indexação, ainda muito presente na economia brasileira, dificulta o controle dos preços. Por este mecanismo, a inflação passada é carregada para frente.

"O problema da indexação é que alguns choques temporários viram permanentes. Você teve um choque agrícola no início do ano, a alimentação sobe, mas depois de alguns meses ela cai, pode não ser tudo, mas em grande parte. Se você incorpora isso nos salários, por exemplo, um pedaço vai passar para a inflação", explicou o economista.

De acordo com o professor Gilberto Braga, do Ibmec, há um DNA no Brasil que carrega uma herança genética em termos inflacionários.

"Então, quando a gente fala de preços administrados [energia elétrica, água, planos de saúde, telefonia], eles sempre são reajustados a cada 12 meses contratualmente com base em um indicador de inflação acumulada no passado. Mesmo quando tem um cenário macroeconômico favorável, o fato de trazer essa matriz contaminada não permite que a inflação caia abruptamente", disse.

Para Arnaldo Curvello, da Ativa Corretora, a indexação na economia favorece a alta dos preços.
Teto brasileiro é um dos mais altos. Levantamento realizado pelo G1 no site Central Bank News, especializado em política monetária, revela que 61 economias trabalham com o sistema de metas de inflação no mundo - que não são exatamente iguais em todos países.

Parte das nações indica apenas a meta na qual a autoridade monetária do país está mirando ao fixar os juros básicos. Outras estabelecem um intervalo de tolerância, sem meta central, ao mesmo tempo em que outros países adotam sistema igual ao do Brasil (meta central e intervalo de tolerância para cima e para baixo).

De acordo com o Central Bank News, considerado o ano corrente de 2016, das 61 nações que atuam com sistemas de metas de inflação somente 15 admitem que a inflação fique acima do teto brasileiro para este ano, que é de 6,5%. Deste modo, o teto brasileiro ainda é alto para padrões internacionais.

Entre as economias que admitem que a inflação fique acima de 6,5%, estão: Belarus (meta única de 12%), Gana (teto de 10%), Índia (meta única de 8%), Jamaica (teto de 7,5%), Quirguistão (meta única de 7%), Nigéria (teto de 9%), Ucrânia (meta única de 12%), Uruguai (teto de 7%) e Zâmbia (meta única de 7%).

Fonte:http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/06/equipe-economica-fixa-nesta-semana-meta-para-inflacao-de-2018.html